sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Damas vs Xadrez


Uma conquista amorosa pode ser um jogo de damas ou de xadrez….
Nas damas a rapidez é que conta, cada jogador vai ganhando mais pontos conforme o maior número de peças que consegue capturar. A sorte nem sempre protege os audazes, mas quem joga sabe que precisa de arriscar para poder avançar no tabuleiro, ainda que isso implique perder umas peças pelo caminho. O que interessa realmente é chegar ao outro lado e recuperar umas quantas peças para aumentar o poder de cada jogada.
É assim que jogamos até uma certa idade…
Depois vêm as duvidas, os traumas, os medos, etc. O Tabuleiro é o mesmo, mas o jogo muda, vai ganhando em densidade e complexidade, o amor deixa de ser fruto de um processo de conquista e de sedução e passa para um nível mais elaborado. Cada peça tem um peso distinto, um valor diferente. Os reis e as rainhas aprendem a escudar-se, as torres vigiam, os cavalos lutam, os bispos conspiram e os piões partem em sacrifício.
Á medida que amadurecemos, aprendemos a olhar para o amor com mais reservas, mas nem sempre conseguimos jogar com uma maior ponderação, apesar de ganharmos um maior nível de consciência, uma rainha sabe que não é igual a uma dama como tantas que jogam no tabuleiro. Por isso deve resguardar-se, estudar cada movimento com calma, sangue-frio e alguma estratégia.
Há mulheres eximias em jogadas de mestre, que conhecem o poder do silêncio, a eficácia do mistério, o alcance da incerteza, que desenvolveram a capacidade de deixar o parceiro sempre um bocadinho na duvida, como se entre os dois existisse uma corda bamba que ele é obrigado a passar todos os dias. São mulheres estratégicas e cautelosas – por natureza ou por treino – estudam as qualidades e os defeitos do seu parceiro, levam este estudo á risca, só assim sabem se vale a pena deixar a rainha á solta no tabuleiro.
Falta-lhes muitas vezes uma grande paixão, alguém por quem já perderam a cabeça, que as fez perder muito tempo e que depois de todas as contas saldadas, viram que perderam tudo.
Quem perde tudo, não tem outro remédio senão recomeçar o jogo. Tabuleiro armado, cada peça no seu sitio, peões na primeira linha, cavalos, bispos, e torres a protegerem até que o rei certo apareça no horizonte.
A ironia que atravessa todos os destinos, gosta de colocar o rei do outro lado do tabuleiro. Ou então o rei apaixona-se pela rainha alheia e sonha em trocar a sua rainha pela do inimigo…
Bispos, cavalos, torres, pouco podem fazer quando a vontade é soberana, um rei reina e uma rainha governa. O rei pode avançar e recuar em todas as direcções e a rainha também, ainda com maior amplitude.
Eu adoro xadrez, apesar de ser uma principiante…
Normalmente os jogadores mais preguiçosos ou desavisados partem para a luta como se o tabuleiro tivesse repleto de damas. Há quem não tenha paciência para alimentar estratagemas, quem goste de ganhar e saiba perder, mas que não saiba perder tempo.
Para mim, um grande jogador nunca se precipita, sabe que uma coisa é saber jogar… outra é mexer as peças, e por isso espera o tempo que for necessário para a rainha olhar para ele. Até o dia que ela o escolhe e salta do tabuleiro……

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